Alto Douro Vinhateiro

2001 | Critérios (iii) (iv) (v)

Visão geral

Há cerca de dois mil anos que as vinhas se (con)fundem com a paisagem do Alto Douro. Foram plantadas e cuidadas por gerações de produtores que, com as suas mãos sábias, construíram uma das regiões vinhateiras mais antigas e emblemáticas do mundo. No século XVIII, o seu néctar mais famoso – o Vinho do Porto – atravessou fronteiras e afirmou-se como o ex-libris da região e de Portugal.

A herança milenar e as idiossincrasias das gentes moldaram uma paisagem cultural de valor universal e excecional, onde o Douro serpenteia por entre socalcos a perder de vista. Foi em 2001 que o Alto Douro Vinhateiro foi inscrito na Lista de Património Mundial da UNESCO, um reconhecimento internacional que enobrece a singularidade desta viticultura de montanha. Preservar e valorizar este legado é um desígnio em permanência: como continuar a evoluir sem perder a identidade? Como conciliar tradição e inovação, património e desenvolvimento?

Com os seus 24 600 hectares e uma panóplia de atores — públicos, privados, pequenos viticultores, comunidades locais —, o Alto Douro Vinhateiro coloca enormes desafios de governança. A CCDR NORTE, I.P., como entidade gestora, tem apostado numa abordagem de proximidade, trabalhando com os construtores da paisagem, com as escolas e com os habitantes do território.

Hoje, mais do que nunca, é tempo de consolidar esse compromisso coletivo, alicerçado num modelo de gestão adaptativo e colaborativo, para assegurar a sustentabilidade e a coesão socioeconómica.

As pessoas, a localização estratégica e a notoriedade da chancela UNESCO constituem o maior ativo da região. Volvidas mais de duas décadas da classificação como Património da Humanidade, a gestão do Alto Douro Vinhateiro implica, essencialmente, salvaguardar esta viticultura heroica e acrescentar valor à autenticidade da mais antiga região demarcada do mundo.