1986 | Critérios (ii) (iv)
O nome da cidade é, em si, o eco da sua memória, desdobrada por entre os mitos de uma origem céltica e as certezas de uma fundação romana. A conjugação de várias épocas em notável harmonia configura uma particular fisionomia ao Centro Histórico, que muito contribuiu para o granjear do seu estatuto como Património da Humanidade. A sinuosidade das ruas contrasta com a grandeza das suas praças, encaixando no jogo subtil entre as torres das igrejas e as chaminés vernáculas, conferindo singularidade a esta cidade antiga, que tão bem soube preservar ícones arquitetónicos de tão extensa história.
A inscrição do Centro Histórico de Évora na Lista do Património Mundial teve como impactos imediatos a crescente sensação de orgulho e pertença por parte da população, assim como o aumento da visibilidade do sítio. Consequentemente, observou-se um aumento sistemático dos fluxos turísticos gerais, muito patente num turismo cultural informado sobre a dimensão patrimonial da cidade e, portanto, de qualidade e de pouco impacto ambiental. No entanto, as últimas décadas inauguraram um aumento do turismo de tipo excursionista, com pouco impacto cultural e económico, mas com evidente impacto ambiental nas infraestruturas urbanas do espaço classificado.
O Centro Histórico de Évora tem sido alvo de várias ações, integradas nos mais variados âmbitos, com vista a uma gestão cada vez mais abrangente e sustentada, destacando-se a Carta de Valores Patrimoniais do CHE, a revisão do Plano de Urbanização de Évora, e a criação do Plano de Pormenor e Salvaguarda do Centro Histórico.
Em termos da divulgação do património, são referências o Projeto Évora 3D, o Centro Interpretativo da Cidade no Palácio de D. Manuel, incluindo a nova sinalética turística e patrimonial para o Centro Histórico assente numa lógica de mobilidade inteligente, bem como a Proposta Museológica e Museográfica das Termas Romanas. Na Educação para o Património, vigora o Projeto 3P para a Promoção do Património Local, direcionado à população escolar, e o serviço de mediação cultural e patrimonial do Centro Interpretativo da Cidade, direcionado a toda a população. Assinalam-se ainda abordagens direcionadas ao combate às alterações climáticas, com o “Laboratório Vivo para Descarbonização” e o “Plano de Mobilidade Sustentável”.
Com vista ao futuro, têm sido seguidos princípios orientadores como o reforço do conhecimento do bem e da sua envolvente; o planeamento com vista à proteção, fruição e sustentabilidade patrimonial e ambiental; o desenvolvimento e incentivo de boas práticas; o aprofundamento da ligação à comunidade e o seu envolvimento na educação para o património; o melhoramento da experiência turística em estreita colaboração com os diversos agentes mediante a inclusão de novos polos de interesse e da valorização de relações de proximidade; o estabelecimento e ampliação dos vínculos a outros sítios classificados pela UNESCO, com vista ao estabelecimento de sinergias e do debate sustentável para a gestão.
Os sítios pré-históricos de arte rupestre do Vale do Rio Côa foram inscritos em 1998 na lista de Património Mundial, tendo a classificação sido alargada ao Sítio de Siega Verde, em Espanha, em 2010, sendo assim transformados em Bem transnacional, reforçando a unidade cultural e territorial.
Nos sítios pré-históricos de arte rupestre do Vale do Côa e Siega Verde contam-se sobretudo representações de cavalos, auroques, cabras-monteses e veados, mas identificam-se também camurças, peixes, figuras humanas e um diverso repertório não figurativo, para além de outras figuras mais raras, como felinos, aves, lontras, etc. Estes temas puderam ser observados na Exposição Arte sem limites. Côa & Siega Verde patente no Museu de Arte Popular, em Lisboa, entre julho e outubro de 2022, ou através da arte contemporânea, na Exposição: Graça Morais Marcas da Terra e do Tempo, no Museu do Côa.
O Vale do Côa e Siega Verde preservam o mesmo tipo de arte que se encontra nas cavernas de Espanha e de França, mas ao ar livre, inscrito na lista de Património Mundial. Este facto permite o desenvolvimento de projetos de natureza científica, cultural, artística e arqueológica, visando o conhecimento e usufruto dos cidadãos da Europa e do Mundo, revelando uma identidade comum dos grupos de caçadores-recolectores europeus do fim do Paleolítico.