Centro Histórico de Guimarães
e Zona de Couros

2001/2023 | Critérios (ii) (iii) (iv)

Visão geral

A cidade histórica de Guimarães está associada ao surgimento da identidade nacional portuguesa no século XII. Um exemplo excecionalmente bem preservado e autêntico da evolução de um assentamento medieval para uma cidade moderna. A sua rica tipologia edificatória exemplifica o desenvolvimento da arquitetura portuguesa do século XV ao século XIX através do uso consistente de materiais e técnicas de construção tradicionais.

O Bem inclui a vila amuralhada e uma zona extramuros, desenvolvida em torno de dois complexos monásticos e uma zona proto-industrial, a Zona de Couros, que, tal como o rio local, recebeu o nome do tradicional ofício da curtimenta de peles. Evidências do ofício, em especial relativas aos séculos XIX e XX, persistem na forma de tanques de curtimenta, casas de trabalhadores e de proprietários, e conjuntos urbanos. O sítio testemunha mil anos de desenvolvimento urbano, arquitetónico e social.

A classificação do Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros como Património Mundial constitui um marco decisivo na projeção internacional da cidade, reforçando de forma significativa a sua visibilidade e atratividade. Embora seja ainda equilibrado o número de visitantes face à oferta, observa-se um aumento progressivo da pressão sobre o espaço público e na valorização do solo, resultante da expansão da hotelaria. Ao nível da habitação constata-se uma crescente subdivisão das habitações, aumento das rendas e o consequente risco de gentrificação, que ameaça a coesão social e autenticidade da vivência comunitária.

Ao longo das últimas duas décadas, o processo de valorização do património cultural tem-se apoiado de forma consistente na dimensão cultural e comunitária, fortalecida pela experiência transformadora da Capital Europeia da Cultura 2012. Nesse percurso, destacaram-se projetos emblemáticos como o “Guimarães Allegro”, que integra a música erudita em monumentos e praças da cidade; ou projetos com forte envolvimento da comunidade local como o “Guimarães noc noc”, “O Retiro” ou, numa dimensão mais alargada, o “Bairro C”.

O Plano de Gestão 2021-2026 constitui um instrumento estruturante, destinado a organizar, disciplinar e orientar a resposta aos desafios que a área histórica enfrenta. Entre estes desafios, destaca-se a extensão da área classificada à Zona de Couros, que incorpora uma nova esfera de perceção da evolução da cidade no espaço e no tempo. A gestão exige abordagens inovadoras, incluindo Avaliações de Impacto Patrimonial, que assegurem um desenvolvimento territorial coerente com a preservação da integridade e autenticidade do Património Mundial.