2004 | Critérios (iii) (v)
O bem com 987 hectares na ilha vulcânica do Pico, a segunda maior do arquipélago dos Açores, consiste num padrão notável de um rendilhado de muros de pedra seca, paralelos e perpendiculares entre si e à linha da costa, em direção ao interior da ilha. Os muros foram construídos de forma a constituir pequenos currais (ou curraletas) para proteger as videiras do vento e do rossio do mar.
Remontando ao século XV, a presença da viticultura manifesta-se através desta extraordinária quadrícula de muros das vinhas, pontuados por edifícios associados à produção de vinho, nomeadamente casas solarengas, armazéns, alambiques, adegas, ermidas, bem como poços de maré e portinhos.
Esta paisagem modelada pelo homem, de uma beleza extraordinária, é o melhor testemunho que ainda subsiste de uma atividade económica crucial na história da ilha do Pico e da Região Autónoma dos Açores.
Esta paisagem Património Mundial demonstra uma profunda simbiose entre o património natural e o cultural (material e imaterial). Desde a sua classificação em 2004, verificou-se uma crescente reabilitação da sua área, tanto na preservação dos espaços edificados como dos agrícolas. Tornou-se, então, um polo dinamizador da economia local, atraindo novos investidores, jovens produtores e novas marcas, projetando a ilha no mercado dos vinhos de excelência, e também como destino turístico peculiar, consciente da sua identidade.
De forma a salvaguardar os valores naturais e culturais desta paisagem, e tendo em vista a preservação da bio e geodiversidade, e a promoção económica e sustentável, foi criado o Plano de Ordenamento da Paisagem Protegida da Cultura da Vinha da Ilha do Pico (POPPVIP).
Nesta paisagem encontra-se o Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, a Casa dos Vulcões, e diferentes trilhos pedestres que asseguram uma importante componente pedagógica e turística, e que valorizam e promovem a paisagem.
O que era do Pico é agora do mundo! Indubitavelmente, o futuro passa pelo envolvimento da população na salvaguarda, valorização e gestão deste património e das tradições a ele associadas. Novas estratégias de envolvimento e uma maior articulação entre as diferentes classificações UNESCO serão a chave para a manutenção de uma paisagem viva, identitária e reabilitada. Pretendemos apelar, continuamente, à renovação rural e à sensibilização dos mais novos para a proteção do património.