1998/2010 | Critérios (i) (iii)
Os sítios pré-históricos de arte rupestre do Vale do Côa (Portugal) e de Siega Verde (Espanha) localizam-se, respetivamente nas margens dos rios Côa e Águeda, ambos afluentes do Rio Douro. As imagens conservadas nas rochas ao ar livre documentam atividades simbólicas dos primeiros homens anatomicamente modernos que povoaram a Península ibérica há mais de 30 000 anos, e que se prolongam até ao século XX. Das ocupações mais antigas, conhecem-se centenas de painéis com milhares de imagens que representam sobretudo cavalos, auroques, cabras-monteses e veados, mas identificam-se também camurças, peixes, figuras humanas e motivos não figurativos, para além de outras figuras mais raras, como felinos e aves. Tratam-se de cerca de 5000 motivos em Foz Côa e 440 em Siega Verde, sobretudo gravados e, mais raramente, pintados.
Dos 100 sítios com arte rupestre do Côa, 62 contêm imagens do Paleolítico Superior, que se distribuem por cerca de 670 rochas, num território de mais de 200 km2. A representações datadas do Paleolítico são as mais antigas de um ciclo artístico que se inicia há cerca de 30 000 anos e se prolonga até ao século XX. Os sítios pré-históricos de arte rupestre do Vale do Rio Côa foram inscritos em 1998 na lista de Património Mundial, tendo a classificação sido alargada ao Sítio de Siega Verde em 2010, formando um Bem transnacional e reforçando a unidade cultural e territorial peninsular.
O Vale do Côa e Siega Verde preservam as mais antigas manifestações de arte, com paralelos nas grutas de Espanha e de França, inscritas também na lista de Património Mundial, que atestam uma identidade comum das sociedades humanas do fim do Paleolítico. A utilização de afloramentos rochosos ao ar livre como suporte da arte e a sua relação direta com o seu contexto natural permitem o desenvolvimento de projetos de natureza científica, cultural, artística e arqueológica, visando o conhecimento e usufruto dos cidadãos da Europa e do Mundo.
O Museu e o Parque Arqueológico do Vale do Côa têm uma programação a partir de vários eixos estratégicos: o estudo, a conservação e gestão do património cultural e do seu contexto natural, uma aposta nos serviços educativos e a dinamização do seu relacionamento internacional e com outras instituição e atividades culturais e sociais.